Mais uma sugestão de práticas diárias, agora da tradição vajrayana, mais conhecida como budismo tibetano.
Instruções Resumidas para a Prática
Diária
Bokar Rinpoche
01. Manhã
1.1. O primeiro pensamento do dia. Ao se
levantar, no leito, em postura de meditação, pensar: "Possam todos os
seres se levantar do leito do samsara. Possam todos os seres atingir o Corpo
Absoluto do Despertar".
1.2. Exercícios respiratórios. No leito:
Expulsão do ar residual: Sentados na cama,
nós tomamos uma inspiração profunda. Ao expirarmos, nós esticamos os dedos da
mãos, que repousam sobre os joelhos. A expiração deve ser leve no começo, mais
forte no meio, e novamente leve no final. Embora expiremos pelo nariz, ao mesmo
tempo, nós pensamos que nós rejeitamos o ar pela boca e por todos os poros da
pele. Nós imaginamos que o ar exalado tem a cor negra; que ele carrega o mau
karma, véus e emoções perturbadoras acumuladas desde tempos sem princípio; e
que todos os aspectos negativos desaparecem à distância. Então inspiramos
profundamente, fechando ao mesmo tempo as mãos. Nós pensamos que a compaixão e
a bênção dos Buddhas e Bodhisattvas, sob a forma de uma luz de cinco cores
(branca, azul, amarela, vermelha e verde), entram pelo nariz, boca e poros, e
circula pelo corpo. Nós fazemos três ciclos de inspiração e expiração. União
Respiração - Mente: Depois de ter expulsado o ar residual, nós respiramos
normalmente. Relaxados e sem distração, nós focamos nossa atenção completa na
respiração, tornando a mente e a respiração unas. Nós fazemos isso por sete
ciclos.
Respiração Sagrada do Vajrayana: Se nós
recebemos iniciações, nós associamos a respiração às três sílabas OM AH HUNG
que incluem a essência de todos os mantras e representam o Corpo, a Palavra e a
Mente de todos os Buddhas. Consequentemente, elas também contêm a essência de
todas as iniciações que nós recebemos. Quando inalamos, imaginamos que uma luz
branca nos penetra ao mesmo tempo em que pronunciamos mentalmente a sílaba OM.
No auge da inspiração, nós imaginamos que nosso coração e peito estão plenos de
uma luz vermelha, ao mesmo tempo em pronunciamos mentalmente a sílaba AH.
Finalmente, enquanto expiramos, nós imaginamos que o ar que deixa nosso corpo
assume a forma de uma luz azul, ao mesmo tempo que recitamos mentalmente a
sílaba HUNG. Nós fazemos issso três vezes.
1.3. Dirigir corretamente o mente. No leito:
nós nos comprometemos a praticar o máximo possível pensando: "Hoje, deste
instante até o momento à noite em que adormecer, procurarei realizar tudo que é
positivo e rejeitar tudo que é negativo. Eu praticarei o caminho espiritual
para tornar-me capaz de ajudar todos os seres a se libertarem do sofrimento e
progredirem em direção ao Despertar". Nós nos comprometemos a não nos
esquecermos os compromissos tomados de manhã por todo o dia: "Hoje, eu
evitarei causar danos com minha atividade física. Eu evitarei causar danos com
minha fala. Eu evitarei causar danos com meus pensamentos. Hoje, eu farei o
melhor para me envolver em atividades físicas benéficas. Eu farei o melhor para
falar somente palaras úteis e agradáveis. Eu farei o melhor para nutrir pensamentos
benevolentes em relação a todos os seres".
1.4. Toalete que purifica. Prática de Dorje
Sempa, que deve ser feita ao mesmo tempo em que se faz a toalete. Visualizamos,
diante de nós, Dorje Sempa no espaço. Do corpo de Dorje Sempa escoa um néctar
luminoso, que purifica o nosso corpo tanto externa como internamente. Pensamos
que estamos sendo purificados de todo karma negativo e dos véus que obscurecem
nosso corpo, palavra e mente. Ao terminar a toalete, imaginamos que Dorje Sempa
se funde em nós. Ao longo do processo recitamos o mantra de Dorje Sempa (o
longo, de cem sílabas, ou o curto - Om Benzra Sato Hung).
1.5. Fazer as oferendas. Diante do altar,
fazemos as sete oferendas (água para beber, água para os pés, flores, incenso,
luz, água perfumada, alimento e música). Prosterna-nos três vezes, recitando a
oração Köntchog sum la tch'agtsel lo / Om namo mendjushiri ye / Namo su
shiri ye / Na mo ütama shiri ye soha//
Imaginamos, enquanto nos prosternamos, que
no espaço à frente estão presentes as Três Jóias (Buddha, Dharma e Sangha) e as
Três Raízes ( Lamas, Yidams, Protetores).
1.6. Homenagem ao Senhor Buddha. Sentado em
frente do altar, recitamos a tomada de Refúgio no Senhor Buddha três
vezes Lama tönpa tchomdende deshinshegpa dratchompa yangdagpar dzogpei
sanggye pel gyelwa shakya t'ubpa la tch'agtsel lo / Tch'ö su k'yab su tch'i o /
Djin gyi lab tu söl//e recitamos sete vezes o mantra do Buddha Shakyamuni
Teyata Om Muni Muni Maha Muneye Soha.
1.7. Tomada de refúgio. Diante do altar,
tomamos refúgio três vezes, segundo a fórmula das preliminares (ver instruções
com o Lama) ou segundo a fórmula curta
La ma la k'yab su tch'i o / Sang gye la
k'yab su tch'i o / Tch'ö la k'yab su tch'i o / Guen dün la k'yab su tch'i o//
1.8. Prática de Tchenrezig. Dependendo do
tempo que se dispõe, realizamos a prática curta.
02. Durante as refeições
2.1. Oferenda dos alimentos. Antes das
refeições, oferecemos os alimentos às Três Jóias, ou ao Yidam, ou ao Lama raiz.
03. Noite
3.1. Prática de Tchenrezi. Realizamos diante
do altar.
3.2. Retrospectiva do dia. Diante do altar,
arrependemo-nos dos atos negativos, tomamos a decisão de não mais cometê-los e
dedicamos os atos positivos a todos os seres para que obtenham a Mente do
Despertar.
3.3. Prece para renascer na terra pura de
Dewatchen . Realizamos diante do altar.
3.4. Limpeza das oferendas. Diante do altar,
esvaziamos e limpamos as tigelas das oferendas, fazendo, depois, três
prosternações com o mantra apropriado.
3.5. No momento de dormir. Dormimos, se
possível, na postura do leão (deitados sobre o lado direito, alinhados, com a
cabeça repousada sobre a mão direita), mantendo o Senhor Buddha, ou o Lama, ou
o Yidam no coração.
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